segunda-feira, 23 de março de 2009

segunda-feira, 16 de março de 2009

Tava enganado!

Será que esta forma de aprender, que este conteúdo... como experimentamos e nos é comunicado por meio da vivência no contexto social em que estamos inseridos (por meio das instituições de ensino, trabalho, e mesmo da família) é realmente a forma mais apropriada de conduzir-nos ao aprendizado? E, aprendizado do quê? Tenho refletido sobre este sistema (pelo menos o pelo qual passei e muitos hj ainda passam) e começo a achar que tudo está formatado de maneira a ser apenas mais uma expressão da forma neurótica que escolhemos para viver nossa época, tanto a nível individual quanto a coletivo! Talvez seja só isso mesmo: mais uma forma de manter a "boiada no caminho".

Após uma reflexão breve, sou levado a crer que tudo isso (a estrutura que sustenta esta forma de 'aprendizado') não passa de ilusão! Ainda mais se avaliarmos o processo como um todo. Se visualizarmos a partir de um ponto de vista mais panorâmico, via de regra, perceberemos que desde cedo somos conduzidos e induzidos a pensarmos a partir dos mesmos fundamentos de raciocínio daqueles que são nossos referenciais e não a partir de nossos próprios pontos de vista. Não só pensarmos mas, na maioria das vezes, reproduzí-los conscientemente ou não. Eis talvez a razão porque muitos não usam suas "próprias pernas" e por isso mesmo não trilham seus "próprios caminhos", e sim os de Outro-s! Estou certo de que esta é uma das mais fortes razões pelas quais facilmente assumimos como nossa a agenda alheia e, assim, inconscientemente abrimos mão de enfrentarmos nossas próprias "questões essenciais".

Não conseguimos ao menos discernir que questões são estas na maioria das vezes! Questões que nos façam enxegar a necessária singularidade de nossas (já dadas) respostas, que nos remeta à percepção de que elas necessitam ser respondidas em solidão! Eis, talvez, o momento em que a consciência discerne-se 'eu', vivendo em meio a tantos Outro-s.

Sem falar que estas estruturas tradicionais de aprendizado sobre as quais reflito, possuem muito mais habilidades para absorver nossas angústias, nossos medos do que nossas esperanças, nossas virtudes, nossas utopias! E com perspicácia... ao absorver, elas tem perpetuado/projetado este mal extrapolando o nível do indivíduo e atingindo o coletivo geração após geração.

Naturalmente, critico não só a forma mas, se não todo, parte do conteúdo a que nos submetem durante o processo. Isto porque será o conteúdo, naturalmente distorcido por esta forma de modo perceptivo, que determinará, como um vetor, a direção e o sentido do "progresso" do sistema. Assim, mais uma vez, estas distorções só se consolidarão e se amplificarão através das gerações que são submetidas a este modelo. E assim será enquanto não se admitir que Crise deve sim fazer parte do processo humano.

E, esticando o raciocínio mais do que deveria, este processo ocorre de forma obscura/sutil para a grande maioria dos atores da cena. Se isso é verdade, certamente, é a questão mais séria do problema. Pois é precisamente neste ponto que surgem os "tótens", os deuses, (o nome que você queira dar) ... as figuras absolutamente impessoais e extremamente poderosas em termos das capacidades que a elas foram atribuídas pelos próprios atores à quem (ironicamente) se subjugam. Eis aí a idolatria moderna. Seus ídolos não assumem formas esculpidas em pedra, antes, conformam corações de carne em pedra.