sábado, 31 de julho de 2010

Amigo é coisa pra se guardar...

Sempre bom escutar boa música e ainda melhor o é em belas vozes. Veja aí... Canção da América por Milton Nascimento.

sábado, 24 de julho de 2010

... Para sempre inata e incomunicável.

"Acrescentarei, todavia, que sempre no fundo de todo pensamento humano, de cada pensamento de gênio ou mesmo de cada pensamento que emerge do cérebro como altíssima centelha, alguma coisa há que não pode ser comunicada aos outros, mesmo que fossem preciso volumes e mais volumes a respeito e que se levasse mais de trinta e cinco anos a querer explicar; alguma coisa que não sai do cérebro, que não pode emergir, que aí fica para sempre inata e incomunicável. Morre-se com ela, sem poder participá-la a quem quer que seja. E todavia bem pode ser que essa seja a idéia mais importante entre todas."

Ippolít, personagem do livro O Idiota de Dostoiévski.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Absolutamente!

"Colombo morreu sem quase o haver visto direito [o novo mundo], e sem saber ao certo o que havia descoberto. É a vida que vale, que importa, a vida e nada mais, o processo, a maneira de descobrir, a tarefa perpétua e imorredoura. E não a descoberta em si, absolutamente."

Ippolít, personagem do livro O Idiota de Dostoiévski.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Ensina-me a contar os dias


"E pouco a pouco cada dia foi se tornando mais precioso para mim, à medida que o dia ia passando e eu me dava conta disso direitinho.


Príncipe Míchkin, personagem do livro O Idiota de Dostoiévski.

domingo, 11 de julho de 2010

É como andar de bicicleta!

Ao aprendermos a andar de bicicleta o que mais perseguimos é o equilíbrio. Esforçamo-nos para não balançarmos, seguimos tensos, amedrontados, com toda a musculatura enrijecida, uma verdadeira batalha contra a menor possibilidade de oscilação. Nem para um lado, nem para outro, é o embate. Convencemo-nos de que agindo assim atingiremos a segurança do movimento, perfeito. Contudo, paremos ... O que garante esse tal movimento não é outra coisa se não a oscilação entre os lados?! Movimento, é inerente ao equilíbrio!

Dois tipos de homens

Penso mesmo que há apenas dois tipos de homens, os que são ignorantes e os que sabem que o são. Para mim, a verdadeira distinção está aí... saber-se ignorante.

sábado, 3 de julho de 2010

... E entrei.

O que aqui dentro há não é mais a razão do temor... Há algum tempo, abri a porta e entrei. Se antes ignorava, já não ignoro mais. Não dá! Verdade é que existir em ânsia de ser, nunca sendo, é inferno!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Primeira Lei de Newton


"Como lhe ocorreria a idéia de que vai caindo sem cessar, ele que não faz outra coisa se não seguir atrás de seu nariz?"


João Clímacus, em Migalhas Filosóficas de Søren Kierkegaard.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Cristianismo, perverção da Verdade!?

Em nome do cristianismo também tem sido dada vazão às mais perversas manifestações de virtude. Nossas mais terríveis compulsões conseguem fácil e sutilmente escamotear-se nas mais piedosas virtudes! Apresentam-se, na maioria das vezes, enredando-nos no mais perigoso dos enganos: o de acharmo-nos justificados por pensarmos falar 'em nome de Deus'!

"A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça."
Rm 1:18

Portanto, não vos escuseis, também vós, de tal julgamento!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Grosseira satisfação


"Não há no mundo coisa mais difícil do que a sinceridade e mais fácil do que a lisonja. Se à sinceridade se mistura a mais mínima nota falsa, surge imediatamente a dissonância e, atrás dela... o escândalo. Ao passo que a lisonja, ainda que seja falsa até à última nota, torna-se simpática e ouve-se com satisfação: com satisfação grosseira, sim, mas com satisfação."


Ivanovich Svidrigáilov, personagem do livro Crime e Castigo de Dostoiévski.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pôr-me-ei em busca!


"...eu o considero como um desses homens que prefeririam ser cortados em pedaços do que serem abatidos, e olhariam sorrindo para seus algozes, contanto que possuíssem uma fé qualquer ou acreditassem em Deus. Pois bem, encontre estas coisas e viverás!"


Porfíri Pietróvitch, personagem do livro Crime e Castigo de Dostoiévski.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Qual?


"...porque todo homem precisa ter um lugar para onde ir!"


Raskólhnikov, personagem do livro Crime e Castigo de Dostoiévski.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A Pecabilidade entrou no mundo...

"Com o pecado original de Adão, o pecado entrou no mundo. Ainda que tal afirmação seja comum, traduz um juízo de certo modo superficial que muito ajudou para o nascimento de equívocos cheio de erros. Não há dúvida de que o pecado entrou no mundo, porém sob esta formulação o fato não é concernente especificamente a Adão. Para sermos estritos e corretos, antes deveremos afirmar que, com o pecado original de Adão, a pecabilidade entrou em Adão."

Søren Kierkegaard.

domingo, 6 de junho de 2010

Uma mentira vital

O homem está literalmente dividido em dois: tem consciência de sua esplêndida e ímpar situação de destaque na natureza, dotado de uma dominadora majestade e, no entanto, retorna ao interior da terra, uns sete palmos, para cega e mudamente apodrecer e desaparecer para sempre. Estar num dilema desses e conviver com ele é assustador. [...] têm razão, absoluta razão, aqueles que acham que uma plena compreensão da condição humana levaria o homem à loucura.”

A hostilidade contra a psicanálise, no passado, hoje e no futuro, será sempre uma hostilidade contra o reconhecimento de que o homem vive à custa de mentir para si mesmo sobre si mesmo e sobre o mundo, e de que o caráter [...] é uma mentira vital.”

Ernest Becker, em A Negação da Morte.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Crer sem dor...

Bendito
Louvados sejas Deus meu Senhor,
porque o meu coração está cortado a lâmina,
mas sorrio no espelho ao que,
à revelia de tudo, se promete.
Porque sou desgraçado
como um homem tangido para a forca,
mas me lembro de uma noite na roça,
o luar nos legumes e um grilo,
minha sombra na parede.
Louvado sejas, porque eu quero pecar
contra o afinal sítio aprazível dos mortos,
violar as tumbas com o arranhão das unhas,
mas vejo Tua cabeça pendida
e escuto o galo cantar
três vezes em meu socorro.
Louvado sejas porque a vida é horrível,
porque mais é o tempo que eu passo recolhendo despojos,
– velho ao fim da guerra como uma cabra –
mas limpo os olhos e o muco do meu nariz,
por um canteiro de grama.
Louvados sejas porque eu quero morrer,
mas tenho medo e insisto em esperar o prometido.
Uma vez, quando eu era menino, abri a porta de noite,
a horta estava branca de luar
e acreditei sem nenhum sofrimento.
Louvado sejas!

Adélia Prado

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Minha opnião?

Verdade, crendo que existe, deseje-a e a persiga com todas as tuas forças! Perspicácia, havendo, sirva-se dela para discernir as motivações da alma. Paixão, por ela serás arrebatado dos grilhões da ilusão da segurança. Conflito, não existe sem dor, e estranhamente o fará compreender quanta força pode haver nas fragilidades.

quinta-feira, 18 de março de 2010

No que tens esperança?

Trecho de um belo diálogo, extraído do filme Senhor dos Anéis, entre Sam e Frodo.

Sam: Eu sei. Está tudo errado. Por certo nós não deviamos nem estar aqui. Mas nós estamos. É como nas grandes histórias, Mr. Frodo. Aquelas que realmente importam. Elas são cheias de escuridão e perigo. E algumas vezes você não quer saber o final. Porque, como o final poderia ser feliz? Como poderia o mundo voltar ao jeito que era quando tanto mal aconteceu?
Mas o final é só uma coisa passageira, essa sombra. Até a escuridão deve passar. Um novo dia virá. E quando o sol brilhar, ele brilhará ainda mais claro. Essas são as histórias que ficam com você. Que significam alguma coisa, mesmo você sendo muito pequeno para entender porque. Mas eu acho, Mr. Frodo, que entendo porque. Agora eu entendo. As pessoas nessas histórias tiveram muitas chances de voltar, de desistir, mas não fizeram. Eles continuaram porque eles tinham esperança em alguma coisa.

Frodo: Nós temos esperança em que, Sam?

Sam: Existe bem nesse mundo, Mr. Frodo. E vale a pena lutar por ele.

domingo, 10 de janeiro de 2010

O Verdadeiro Mistério

“Receber Deus como Juiz e Advogado” (minha impressão acerca da mente de Jó)

Quem é que questiona Deus se não aquele para o qual Ele faz diferença?

Seu mundo estava em cacos. Não havia mais nada que fizesse sentido. Quase tudo o que tinha e no que acreditava, ou já havia ruído, ou estava ruindo. Contudo, ainda restava-lhe uma coisa: sua consciência! E nela, finalmente, o desejo de alcançar a Verdade, de compreender o sentido de sua existência - humana.

Curioso que foi aí mesmo, em meio à agitação da alma, da dor, diante do desespero que a loucura fez-se sanidade, que a impossibilidade tornou-se possibilidade. Deus, juiz, revelou-se advogado. À alma que jazia à sombra da morte foi-lhe dado graciosamente conhecer o mistério da Verdade!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ato III, Cena VI


      "... Quem sofre sozinho esquece suas raízes,
           Não lembra mais fatos, nem tempos felizes.
           Quando a dor tem irmãos e a angútia amigos
           A alma nem sente inúmeros castigos
           A dor já não me dói, por não ser singular
           O mesmo que me curva faz o rei dobrar"

Edgar, personagem do livro Rei Lear, de William Shakespeare

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Indagação...


"Eu tenho muitas explicações, Lucano começou a pensar. Depois parou impressionado. Preciso sempre raciocinar? Pensou, de súbito. Preciso sempre afobar-me para explicar as coisas à luz da razão? Que me trouxe a razão, a não ser desgosto?"


Lucano, personagem do livro Médico de Homens e Almas de Taylor Caldwell

domingo, 23 de agosto de 2009

Society ... Can You do that?

There's those thinking, more-or-less, less is more
But if less is more, how you keeping score?

Means for every point you make, your level drops

Kinda like you're starting from the top

You can't do that...


Society, have mercy on me
Hope you're not angry if I disagree...

Society, crazy indeed

Hope you're not lonely without me...


Jerry Hannan

terça-feira, 23 de junho de 2009

Give me truth!


"Rather than love, than money, than fame, than fairness... give me truth."


Christopher McCandless parafrasenado Thoreau em A Natureza Selvagem

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Desconfie da lógica!


"O poeta apenas pede para pôr a cabeça nos céus. O lógico é o que procura pôr os céus dentro de sua cabeça. E é a cabeça que se estilhaça."


G. K. Chesterton, em Ortodoxia

segunda-feira, 16 de março de 2009

Tava enganado!

Será que esta forma de aprender, que este conteúdo... como experimentamos e nos é comunicado por meio da vivência no contexto social em que estamos inseridos (por meio das instituições de ensino, trabalho, e mesmo da família) é realmente a forma mais apropriada de conduzir-nos ao aprendizado? E, aprendizado do quê? Tenho refletido sobre este sistema (pelo menos o pelo qual passei e muitos hj ainda passam) e começo a achar que tudo está formatado de maneira a ser apenas mais uma expressão da forma neurótica que escolhemos para viver nossa época, tanto a nível individual quanto a coletivo! Talvez seja só isso mesmo: mais uma forma de manter a "boiada no caminho".

Após uma reflexão breve, sou levado a crer que tudo isso (a estrutura que sustenta esta forma de 'aprendizado') não passa de ilusão! Ainda mais se avaliarmos o processo como um todo. Se visualizarmos a partir de um ponto de vista mais panorâmico, via de regra, perceberemos que desde cedo somos conduzidos e induzidos a pensarmos a partir dos mesmos fundamentos de raciocínio daqueles que são nossos referenciais e não a partir de nossos próprios pontos de vista. Não só pensarmos mas, na maioria das vezes, reproduzí-los conscientemente ou não. Eis talvez a razão porque muitos não usam suas "próprias pernas" e por isso mesmo não trilham seus "próprios caminhos", e sim os de Outro-s! Estou certo de que esta é uma das mais fortes razões pelas quais facilmente assumimos como nossa a agenda alheia e, assim, inconscientemente abrimos mão de enfrentarmos nossas próprias "questões essenciais".

Não conseguimos ao menos discernir que questões são estas na maioria das vezes! Questões que nos façam enxegar a necessária singularidade de nossas (já dadas) respostas, que nos remeta à percepção de que elas necessitam ser respondidas em solidão! Eis, talvez, o momento em que a consciência discerne-se 'eu', vivendo em meio a tantos Outro-s.

Sem falar que estas estruturas tradicionais de aprendizado sobre as quais reflito, possuem muito mais habilidades para absorver nossas angústias, nossos medos do que nossas esperanças, nossas virtudes, nossas utopias! E com perspicácia... ao absorver, elas tem perpetuado/projetado este mal extrapolando o nível do indivíduo e atingindo o coletivo geração após geração.

Naturalmente, critico não só a forma mas, se não todo, parte do conteúdo a que nos submetem durante o processo. Isto porque será o conteúdo, naturalmente distorcido por esta forma de modo perceptivo, que determinará, como um vetor, a direção e o sentido do "progresso" do sistema. Assim, mais uma vez, estas distorções só se consolidarão e se amplificarão através das gerações que são submetidas a este modelo. E assim será enquanto não se admitir que Crise deve sim fazer parte do processo humano.

E, esticando o raciocínio mais do que deveria, este processo ocorre de forma obscura/sutil para a grande maioria dos atores da cena. Se isso é verdade, certamente, é a questão mais séria do problema. Pois é precisamente neste ponto que surgem os "tótens", os deuses, (o nome que você queira dar) ... as figuras absolutamente impessoais e extremamente poderosas em termos das capacidades que a elas foram atribuídas pelos próprios atores à quem (ironicamente) se subjugam. Eis aí a idolatria moderna. Seus ídolos não assumem formas esculpidas em pedra, antes, conformam corações de carne em pedra.