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domingo, 8 de janeiro de 2012

Olhai melhor!

"De modo que eu talvez seja ainda mais 'vivo' que vós. Olhai melhor! Nem mesmo sabemos onde habita agora o que é Vivo, o que Ele é, como se chama. Deixai-nos sozinhos, sem um livro, e imediatamente ficaremos confusos, perder-nos-emos; não saberemos a quem aderir, a que nos atermos, o que amar e o que odiar, o que respeitar e o que desprezar. Para nós é pesado até ser gente, gente com corpo e sangue autênticos, próprios; temos vergonha disso, consideramos tal fato um opróbrio e procuramos ser uns homens gerais que nunca existiram. Somos natimortos, e há muito que já não nascemos de pais vivos, e isso nos agrada cada vez mais. Em breve, inventaremos algum modo de nascer de uma idéia."

Fiodor Dostoiévski, em Memórias do Subsolo.

domingo, 8 de agosto de 2010

Outro tipo de reivindicação...

"... se não há uma reivindicação legal, há, todavia, uma reivindicação humana, natural! A que é dada pelo bom senso e pela voz da consciência."

Ippolít, personagem do livro O Idiota de Dostoiévski.

A era do terceiro ginete.

"Estamos vivendo na era do terceiro ginete, o ginete negro, e do cavaleiro que trás na mão uma balança, já que na presente era tudo é pesado nos pratos da balança, ajustado por contratos, toda gente outra coisa não fazendo senão pensar nos seus direitos... 'Uma medida de trigo por um dinheiro e três medidas de cevada por um dinheiro'. Também pensam em deixar o espírito livre, o coração puro e o corpo incólume e todas as subsequentes dádivas de Deus. Ora, claro está que se eles se fundamentam apenas no direito não farão jus a tais dádivas, razão pela qual sobrevirá o ginete amarelo e aquele cujo nome é Morte."

Liébediev, personagem do livro O Idiota de Dostoiévski.

sábado, 24 de julho de 2010

... Para sempre inata e incomunicável.

"Acrescentarei, todavia, que sempre no fundo de todo pensamento humano, de cada pensamento de gênio ou mesmo de cada pensamento que emerge do cérebro como altíssima centelha, alguma coisa há que não pode ser comunicada aos outros, mesmo que fossem preciso volumes e mais volumes a respeito e que se levasse mais de trinta e cinco anos a querer explicar; alguma coisa que não sai do cérebro, que não pode emergir, que aí fica para sempre inata e incomunicável. Morre-se com ela, sem poder participá-la a quem quer que seja. E todavia bem pode ser que essa seja a idéia mais importante entre todas."

Ippolít, personagem do livro O Idiota de Dostoiévski.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Absolutamente!

"Colombo morreu sem quase o haver visto direito [o novo mundo], e sem saber ao certo o que havia descoberto. É a vida que vale, que importa, a vida e nada mais, o processo, a maneira de descobrir, a tarefa perpétua e imorredoura. E não a descoberta em si, absolutamente."

Ippolít, personagem do livro O Idiota de Dostoiévski.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Ensina-me a contar os dias


"E pouco a pouco cada dia foi se tornando mais precioso para mim, à medida que o dia ia passando e eu me dava conta disso direitinho.


Príncipe Míchkin, personagem do livro O Idiota de Dostoiévski.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Grosseira satisfação


"Não há no mundo coisa mais difícil do que a sinceridade e mais fácil do que a lisonja. Se à sinceridade se mistura a mais mínima nota falsa, surge imediatamente a dissonância e, atrás dela... o escândalo. Ao passo que a lisonja, ainda que seja falsa até à última nota, torna-se simpática e ouve-se com satisfação: com satisfação grosseira, sim, mas com satisfação."


Ivanovich Svidrigáilov, personagem do livro Crime e Castigo de Dostoiévski.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pôr-me-ei em busca!


"...eu o considero como um desses homens que prefeririam ser cortados em pedaços do que serem abatidos, e olhariam sorrindo para seus algozes, contanto que possuíssem uma fé qualquer ou acreditassem em Deus. Pois bem, encontre estas coisas e viverás!"


Porfíri Pietróvitch, personagem do livro Crime e Castigo de Dostoiévski.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Qual?


"...porque todo homem precisa ter um lugar para onde ir!"


Raskólhnikov, personagem do livro Crime e Castigo de Dostoiévski.