quarta-feira, 31 de agosto de 2011

vocês devem obedecer a seus pais...

"É bom que se perceba que àquela época utilizavam-se das fábulas como instrumentos para a doutrinação de crianças, das crianças daquela época. Elas - as fábulas - foram os instrumentos necessários aos educadores para que pudessem realizar aquilo que se lhes cabia, educar. Hoje, contudo, não precisamos destes instrumentos (das fábulas); surgiram novas formas e suportes; possuímos livros didáticos ilustrados que informam com mais objetividade aos alunos que eles devem obedecer seus pais, por exemplo. Não é preciso fazer uso de formas tão complexas que informem tais rudimentos."

Colocar as coisas nestes termos (de que é preciso simplificar, "descomplicar" "textos" com o fim de tornar mais acessível a mensagem - que comunica a norma) é perder a chance de entender o que seja isso que chamamos... complexidade. Complexidade não é sinônimo de dificuldade. É preciso receber a complexidade como parte relevante e inerente à vida, aos processos de vida. Ainda mais ao universo de experiências da infância - de leitores - em formação! Admitir isso é, possivelmente, conceder ao leitor em formação a experiência do desvelamento das possibilidades, a experiência do desvelamento da extensa teia de relações que a vida implica; a chance de sugerir e fazer surgir perspectiva para o binômio certo/errado.

Subtrair esta modalidade de leitura, não exigir um mínimo de apropriação das complexidades de sentidos em "textos" deste gênero, por exemplo, é usurpar, de quem se submete ao processo de educação, a possibilidade da percepção da complexidade inerente à ordens tão rudimentares como esta: "vocês devem obedecer a seus pais".

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